IGREJAS EMPRESAS
As igrejas atuais estão cada vez mais modernas, muitas já possuem conta bancária para receber dízimos e ofertas diretamente na conta do banco, algumas já possuem sala própria para receber ligações de doações, outras já utilizam máquinas de cartão de crédito para receber os dízimos dos seus membros, tudo isso é organizado de forma semelhante a uma empresa. Diante de um cenário religioso plural com ampla diversidade de igrejas e seitas espalhadas pelo Brasil, cabe a nós cientistas sociais, analisar e problematizar as relações sociais dentro desse campo religioso a fim de compreender como a religião tem utilizado os mecanismos de comunicação e se adaptando as transformações ocorridas na sociedade com o objetivo de não somente manter seu público alvo como atrair indivíduos de diferentes posições sociais, possibilitando dessa forma um crescimento considerável das instituições religiosas perante a população brasileira.
A expansão dos evangélicos no território brasileiro é um fenômeno social que ocorre a meio século. Sua expansão não é apenas demográfica como também sua dilatação alcança os campos midiáticos, políticos e comercial. (MARIANO, 2008). Produtoras e canais de televisão já perceberam o potencial lucrativo que os evangélicos podem gerar através de seus produtos, músicas e programações em forma de cultos e eventos relacionados ao meio cristão.
A expansão dos evangélicos no território brasileiro é um fenômeno social que ocorre a meio século. Sua expansão não é apenas demográfica como também sua dilatação alcança os campos midiáticos, políticos e comercial. (MARIANO, 2008). Produtoras e canais de televisão já perceberam o potencial lucrativo que os evangélicos podem gerar através de seus produtos, músicas e programações em forma de cultos e eventos relacionados ao meio cristão.
As igrejas, por outro lado, visualizando a possibilidade de usufruir dos meios de comunicação e com isso alcançar um maior número de fiéis, tem investido fortemente na produção de programações radiofônicas e televisivas, além de estarem conectados à internet. Os evangélicos já ocupam a grande rede desde salas de bate papos, passando por sites oficiais das denominações e blogs feitos por membros de igrejas até páginas e perfis nas redes sociais a exemplo do facebook, twitter e instagram. (JUNGBLUT, 2010).
A expansão ganha cada vez mais espaços e adquire novas formas de inserção. Cultos com pregadores famosos entre o meio evangélico e também fora dele, são cada vez mais usados como forma de atrair pessoas para dentro dos templos. As formas de organização também são notórias para um observador atento. Trabalhos evangelísticos, cultos, eventos, liturgia, tudo envolvendo o meio evangélico está sendo produzido e planejado com considerável capacidade administrativa, afinal, em se tratando de igrejas, saber se relacionar com pessoas, atualmente conhecido também como recursos humanos, é um dos fundamentos básicos para que uma instituição religiosa possa ser bem recebida e aceita perante o público.
MODELOS DE GESTÃO
No ramo administrativo é sabido que trabalhar com pessoas não é algo simples, ao contrário, passa a ser uma tarefa extremamente complexa (MORGAN, 2006), que exigi todo um conhecimento necessário para que essa relação não seja abalada por qualquer instabilidade causada ora por fatores externos como a queda de vendas em uma empresa, ora com fatores internos como a falta de equilíbrio emocional entre indivíduos que exercem funções semelhantes em um determinado setor.
MODELOS DE GESTÃO
No ramo administrativo é sabido que trabalhar com pessoas não é algo simples, ao contrário, passa a ser uma tarefa extremamente complexa (MORGAN, 2006), que exigi todo um conhecimento necessário para que essa relação não seja abalada por qualquer instabilidade causada ora por fatores externos como a queda de vendas em uma empresa, ora com fatores internos como a falta de equilíbrio emocional entre indivíduos que exercem funções semelhantes em um determinado setor.
Semelhante a uma empresa comercial, uma igreja pentecostal adota um estilo de gerencia autocrática em que um líder – na maioria das vezes representado pelo pastor, ou apóstolos – tem autoridade sobre todos os outros indivíduos que compõem o corpo de membros daquela instituição. Esse mesmo líder, pode delegar funções e cargos entre os fiéis 1ativos dentro da denominação.
Os cargos distribuídos possuem a função principal de auxiliar o líder maior na liderança e responsabilidades dentro da igreja. Haja visto que como toda instituição, haverá conflitos, e problemas que deverão ser resolvidos pelos líderes, a saber; Diácono, presbíteros, líderes de grupos de oração e obreiros.
As decisões tomadas pelos líderes da congregação deverão possuir o aval do pastor que representa a figura central da liderança de uma igreja pentecostal.
Os cargos distribuídos possuem a função principal de auxiliar o líder maior na liderança e responsabilidades dentro da igreja. Haja visto que como toda instituição, haverá conflitos, e problemas que deverão ser resolvidos pelos líderes, a saber; Diácono, presbíteros, líderes de grupos de oração e obreiros.
As decisões tomadas pelos líderes da congregação deverão possuir o aval do pastor que representa a figura central da liderança de uma igreja pentecostal.
Fazendo uma analogia com uma empresa, as igrejas pentecostais estruturam sua gerencia de forma piramidal, em que o pastor está no topo e esse distribui o poder de forma hierárquica para os diáconos e presbíteros. Esses por sua vez, seguindo a mesma regra, transmitem autoridade para líderes de grupos, estes líderes passarão a hierarquia para os fiéis que de acordo com essa análise, estariam no chão da pirâmide, seriam os mais desprovidos de autoridade, porém, tendo a importante função de estarem na linha de frente, fazendo o trabalho duro, indo às ruas levar mensagem divina, fazendo cultos em lares de outras pessoas, doando ofertas e dízimos, em outras palavras, tais indivíduos irão sustentar a instituição, mantendo dessa forma, o sistema piramidal atuante nessas igrejas.
1 Ativo no sentido de serem pessoas que mantém um vínculo direto com as igrejas que é representado pela frequência constante em cultos e eventos feito pela congregação, além de possuir uma boa imagem social tanto para os membros e liderança da igreja, quanto para os não crentes.
Para Morgan (2010), esse modelo de liderança autocrática é explicável da seguinte maneira:
Para Morgan (2010), esse modelo de liderança autocrática é explicável da seguinte maneira:
"Em autocracias, como muitas organizações paternalistas ou firmas de família, a autoridade de "um" indivíduo ou de um pequeno grupo é caracterizada pelo poder absoluto e muitas vezes ditatorial".(Imagens da Organização, p.181.2006).
Igrejas neopentecostais também possuem estrutura semelhante, porém, com bispos que dão a palavra final nas diversas congregações espalhadas pelo país. Os pastores deixam de exercer a autoridade final, para deixa-la nas mãos dos bispos, eles possuem a autoridade para estabelecer doutrinas, normas e procedimentos nas igrejas neopentecostais. O trecho abaixo demonstra esse modo de gerencia semelhante a empresas.
Nas últimas décadas, a lógica de mercado tornou-se cada vez mais presente nesse meio religioso, promovendo a concentração do poder através da adoção de gestão centralizada e do estabelecimento de governos eclesiásticos episcopais, comandados verticalmente por bispos, missionários, apóstolos e profetas.
(MARIANO, 2008, p.72).
(MARIANO, 2008, p.72).
Modelos empresariais tem se tornando cada vez mais comum dentro das igrejas evangélicas, principalmente neopentecostais. Muitas denominações já possuem um setor responsável por atender ligações de seus fiéis interessados em algum produto disponibilizado pela igreja ou um pedido de oração. Tudo isso controlado e supervisionado pelo líder maior a exemplo do bispo ou apóstolo.
CONFLITOS
CONFLITOS
Analisando os conflitos internos que eventualmente podem surgir dentro de qualquer instituição, seja ela religiosa ou comercial, cabe destacar algumas diferenças entre as formas que essas instituições lidam com a resolução desses conflitos e as consequências que poderão acontecer posteriormente.
No caso de empresas comerciais, os conflitos são solucionados das seguintes maneiras: A primeira é identificar a origem do problema, leia-se pessoa. É bastante comum dentro das empresas quando acontece problemas ou confusões dentro do ambiente da mesma, os funcionários procurarem um culpado, alguém que é responsável por todo desequilíbrio ocorrente naquele local, alguns chamam de “bode expiatório”, o indivíduo que possivelmente causou o conflito.
No caso de empresas comerciais, os conflitos são solucionados das seguintes maneiras: A primeira é identificar a origem do problema, leia-se pessoa. É bastante comum dentro das empresas quando acontece problemas ou confusões dentro do ambiente da mesma, os funcionários procurarem um culpado, alguém que é responsável por todo desequilíbrio ocorrente naquele local, alguns chamam de “bode expiatório”, o indivíduo que possivelmente causou o conflito.
Logo após descobrir o suposto culpado pelo transtorno dentro da empresa, o patrão ou o responsável pela repartição pode desloca o (a) funcionário (a) do daquele setor. A ideia seria manter a sua eficiência produtiva dentro da empresa, no entanto, sem causar transtornos relacionais dentro da empresa, partindo da perspectiva que o seu deslocamento de setor irá afastá-lo de pessoas às quais este possui dificuldade de relação no ambiente de trabalho, e proporcionar outro local em que o (a) funcionário (a) possua melhor relação com outros colegas de profissão e assim sinta-se encorajado a retomar seu nível de produção.
Outra opção seria o desligamento total deste indivíduo com a empresa, desta feita, o trabalhador seria demitido da instituição, com isso o patrão espera acabar de vez com os problemas relacionados a este funcionário, trazendo de volta a harmonia e a produtividade na empresa. Independente dos variados motivos que resultarem em um conflito, ele está relacionado em alguma discordância de interesses.
Ele pode surgir em estruturas organizacionais, papéis, atitudes e estereótipos ou por causa de uma escassez de recursos. Pode ser explícito ou encoberto. Qualquer que seja a razão e qualquer que seja a forma que ele assume, a fonte do conflito está em alguma divergência de interesses real ou imaginada.
(MORGAN, p.192. 2006).
Dentro de uma igreja esses problemas teriam resoluções um pouco diferentes, mas ainda com relativa semelhança. No caso de algum membro causar problemas para a igreja, mal comportamento, brigas ou atitudes semelhantes, esse seria disciplinado pela liderança da igreja. A disciplina envolve a perda da comunhão do indivíduo com os outros membros da igreja. Neste caso, o mesmo deveria ficar ausente dos principais cultos realizados pela congregação, incluindo a santa ceia que é algo que possui um significado de suma importância para os cristãos.
A insistência no erro por parte do fiel, poderia ocasionar a sua expulsão da igreja, o membro seria desvinculado da instituição, semelhante a atitude que algumas empresas adotam. A liderança da igreja pode retirar de seu corpo de membros, o fiel que insistir em repetir ou trazer mais problemas para a instituição, sabendo que a sua permanência também traria uma péssima imagem para as pessoas que estão de fora. O que poderia ocasionar uma perda notável de adesão à instituição, afinal, poucas pessoas gostariam de fazer parte de uma igreja que é nitidamente conhecida como problemática e causadora de conflitos.
ADAPTAÇÃO E INOVAÇÃO
Segundo Morgan (2006), mudança e inovação devem fazer parte de uma organização que deseja encarar o desafio de manter-se em um mundo cada vez mais competitivo e turbulento. Para isso, o autor explica que é preciso entender os pressupostos e as imagens que orientam o modo de pensar da sociedade moderna. Feito isso, agora é preciso desenvolver aptidões e maneiras de enquadrar-se dentro desses aspectos para que a organização tenha aceitação perante o público, conseguindo dessa forma consolidar-se em meio a um oceano de interesses e necessidades existentes na sociedade.
Segundo Morgan (2006), mudança e inovação devem fazer parte de uma organização que deseja encarar o desafio de manter-se em um mundo cada vez mais competitivo e turbulento. Para isso, o autor explica que é preciso entender os pressupostos e as imagens que orientam o modo de pensar da sociedade moderna. Feito isso, agora é preciso desenvolver aptidões e maneiras de enquadrar-se dentro desses aspectos para que a organização tenha aceitação perante o público, conseguindo dessa forma consolidar-se em meio a um oceano de interesses e necessidades existentes na sociedade.
As igrejas neopentecostais possuem um modo de organização semelhante a empresas pois trabalham campanhas financeiras para atingir objetivos específicos. O uso de envelopes para o fiel colocar ofertas em dinheiro, é comum dentro dessas igrejas. As centralidades das pregações nas reuniões são em grande parte das vezes focadas em conquistas materiais que são incentivadas pelos líderes dessas denominações. O uso de partes selecionadas da bíblia em que demonstram conquistas ou incentivos à bens materiais são utilizados em larga escala dentro dos templos neopentecostais.
Os pentecostais, no entanto, direcionam suas pregações para uma vida celestial, enfatizando o asceticismo, a aspecto mortal do indivíduo e a purificação do fiel diante do mundo, além de experiências espirituais que na visão desse grupo, significa um contato mais próximo com Deus, dando pouca ênfase em conquistas materiais, já que o seu principal objetivo seria a vida eterna.
Diante de duas perspectivas diferentes, percebe-se essas denominações tendem a focar em alcançar determinados públicos. Ricardo Mariano explica esse processo de atração de segmentos diferentes de acordo com as denominações:
Diante de duas perspectivas diferentes, percebe-se essas denominações tendem a focar em alcançar determinados públicos. Ricardo Mariano explica esse processo de atração de segmentos diferentes de acordo com as denominações:
"A classe média mais escolarizada, por exemplo, resiste ao tradicional sectarismo, moralismo e ascetismo contracultural das agremiações pentecostais. As igrejas que reduziram e flexibilizaram, por princípio ou estratégia, suas exigências comportamentais, tais como Renascer em Cristo, Sara Nossa Terra e Bola de Neve, conseguiram conquistar segmentos de classe média. Contudo, mantiveram-se relativamente pequenas".(MARIANO, 2008. p.70).
De acordo com o autor, as igrejas que conseguem flexibilizar seus costumes e exigências doutrinárias, tem maiores chances de atrair pessoas da chamada classe média.
Os pentecostais por possuírem um sistema de organização que não exigem títulos ou diplomas, conseguem maiores resultados com grupos mais pobres da sociedade, principalmente pobres e negros (MARIANO, 2008). Enquanto que igrejas neopentecostais usam de pregações movidas à interesses financeiros para conseguirem atrair pessoas que desejam se desenvolver financeiramente e materialmente, criando campanhas que exigem compromissos – também chamados de sacrifícios entre os neopentecostais – para despertar as pessoas para a importância de ser bem-sucedido e viver uma vida abundante na Terra. (IDEM, 1996).
Dessa forma, existe entre essas duas vertentes evangélicas, nota-se tipos diferentes de organização; uma em que o pastor determina as diretrizes da igreja, a exemplo dos pentecostais, e outra em que o bispo comanda toda a denominação, delegando funções para os pastores.
CONCLUSÃO
Em geral, as denominações têm se adaptado às transformações ocorridas na sociedade ao longo dos anos, isso faz com que uma gama de costumes tenha sido modificados para satisfazer aos interesses do público. Os indivíduos, em meio a diversidades de igrejas espalhadas em vários locais, possuem a liberdade de escolherem a que melhor represente os seus interesses. Como diria Mary Douglas (1998): “O indivíduo calcula o que é aquilo que melhor atende a seus interesses e age de acordo com isso”.
Em geral, as denominações têm se adaptado às transformações ocorridas na sociedade ao longo dos anos, isso faz com que uma gama de costumes tenha sido modificados para satisfazer aos interesses do público. Os indivíduos, em meio a diversidades de igrejas espalhadas em vários locais, possuem a liberdade de escolherem a que melhor represente os seus interesses. Como diria Mary Douglas (1998): “O indivíduo calcula o que é aquilo que melhor atende a seus interesses e age de acordo com isso”.
Referências Bibliográficas
DOUGLAS, Mary. Como as Instituições Pensam. (Tradução Carlos
Eugênio Marcondes de Moura). - São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1998. (Ponta, 16).
JUNGBLUT, Airton Luiz. O uso religioso na Internet no Brasil. Revista de Estudos da Religião. Vol. 1, 2010.
MORGAN, Gareth. Imagens da organização: edição executiva/Gareth Morgan; tradução Geni G. Goldschmidt. - 2. ed. – 4 a reimpressão - São Paulo : Atlas, 2002.
MARIANO, Ricardo. Crescimento pentecostal no Brasil: fatores internos. Revista de Estudos da Religião. 2008.
Disponível em: http://www.pucsp.br/rever/rv4_2008/t_mariano.pdf.
MARIANO, Ricardo. Os neopentecostais e a Teologia da prosperidade. Novos estudos CEBRAP. 1996.
Disponível em: http://novosestudos.org.br/v1/files/uploads/contents/78/20080626_os_neopentecostais.pdf.




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