A EXPANSÃO EVANGÉLICA NO BRASIL - PARTE 2
Diante do estabelecimento das igrejas pentecostais no Brasil, os pentecostais atravessaram as fronteiras nacionais, o país passou de mero consumidor, para exportador de religiões, o trânsito entre igrejas norte-americanas passou aos poucos a se reverter com a autonomia teológica e econômica das igrejas brasileiras. As igrejas foram avançando quantitativamente e territorialmente. Essa expansão irá se mostrar mais evidente com o surgimento da terceira onda do pentecostalismo que ocorre no final dos anos 70 que constitui as chamadas igrejas neopentecostais. Essas denominações se diferenciam das pentecostais por colocarem os dons do Espírito, da graça divina e a rigidez nos costumes em segundo plano, dando lugar ao exorcismo devido ao constante combate espiritual, e principalmente à prosperidade financeira.
De acordo com a doutrina neopentecostal, os dons de Deus estão atuantes neste mundo, quem tem fé suficiente e expressa por meio de contribuições para a igreja, pode pedir esses dons e também exigir de Deus que fica obrigado a responder devido a fé que foi investida pelo fiel. Fazem parte desse grupo a Igreja Universal do Reino de Deus (1977), a Comunidade Sara Nossa Terra (1976), a Igreja Internacional da Graça de Deus (1980), a Igreja Renascer em Cristo (1986) e a Igreja Mundial do Poder de Deus (1998). (BARTZ, 2009).
A Igreja Universa foi criada em 1977 tem como líder maior o Bispo Edir Macedo, o interessante destacar é que Macedo era membro da Igreja pentecostal Nova Vida cujo fundador Roberto Maclinster teve passagem pela Assembleia de Deus, ou seja, mais um caso de migração. Edir Macedo teve como um dos colaboradores, o cunhado Romildo Soares que se afastou da direção da Igreja Universal e fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus e há alguns anos possui um programa em rede aberta de televisão. Antes da fundação da Igreja Universal Edir Macedo e Soares já haviam fundado o Salão da Fé, conhecido também como Cruzada do Caminho Eterno, juntamente com Samuel Coutinho que pertenceu à Igreja Batista. (ALMEIDA, 2009).
Usando uma mensagem direcionada para a prosperidade financeira e um intenso combate ao Diabo, a Igreja de Edir Macedo em pouco tempo conseguiu alcançar milhares de pessoas. Logicamente, a igreja contou com ferramentas que auxiliaram na propagação da mensagem, o rádio e a televisão foram e ainda são um dos veículos mais utilizados pela Universal para atingir várias localidades sem necessariamente está fisicamente em todos os lugares. A forte e marcante presença dos pentecostais no Brasil é hoje um fenômeno consolidado. (CERVEIRA, 2008).
De acordo com o senso realizado pelo IBGE, o Brasil experimentou um crescimento contínuo dos evangélicos nos anos de 1991 a 2010, passando de 9,0% em 1991 para 15,4% em 2000 e alcançando em 2010 a marca de 22,2% da população brasileira, o gráfico da pesquisa demonstra esses números:
Com um crescimento de 13,2% em um intervalo de dezenove anos, os protestantes/evangélicos foi o grupo religioso que obteve maior crescimento em território nacional. Entre esse grupo, destacam-se os pentecostais e os neopentecostais que alcançaram um crescimento de 7,7% entre 1991 a 2010 chegando a 13,3% da população, superando os seus “irmãos” Evangélicos de Missão que praticamente se mantiveram com 4,0% tendo crescido apenas entre 1991 a 2000 ganhando 0,1% de membros entre 2000 e 2010 e os Evangélicos não Determinados (os que declaram não pertencer a nenhuma denominação) que passaram de 0,4% em 1991 para 1,0% em 2000 e alcançaram melhor rendimento em 2010 quando chegaram em 4,8% da população brasileira.
Esses números ainda se tornam mais expressivos se comparados com outros grupos religiosos como os Espíritas que tiveram crescimento de 0,9% e os Umbandistas e Candomblecistas que experimentaram redução de 0,4% para 0,3%. Outros grupos religiosos não especificados também conseguiram aumento, desta vez, em 1,3%. As pessoas sem religião, do mesmo modo, porém, com aumento maior, cresceram, passando de 4,7% para 8,0% entre 1991 e 2010. Ao analisar esses dados, com relação ao grupo dos Sem Religião, de acordo com os dados apresentados, apesar de não professarem nenhuma religião, para Bartz (2008), “não significa necessariamente que essas pessoas não tenham nenhuma crença, só que elas se designam como não pertencentes a nenhuma religião”.
Esses números ainda se tornam mais expressivos se comparados com outros grupos religiosos como os Espíritas que tiveram crescimento de 0,9% e os Umbandistas e Candomblecistas que experimentaram redução de 0,4% para 0,3%. Outros grupos religiosos não especificados também conseguiram aumento, desta vez, em 1,3%. As pessoas sem religião, do mesmo modo, porém, com aumento maior, cresceram, passando de 4,7% para 8,0% entre 1991 e 2010. Ao analisar esses dados, com relação ao grupo dos Sem Religião, de acordo com os dados apresentados, apesar de não professarem nenhuma religião, para Bartz (2008), “não significa necessariamente que essas pessoas não tenham nenhuma crença, só que elas se designam como não pertencentes a nenhuma religião”.
Os católicos por sua vez ainda permanecem no topo do gráfico em números de membros, porém, com contínua perda de porcentagem, como demonstra o gráfico, os fiéis da Igreja Católica Romana diminuíram com o decorrer dos anos. Em 1981 eram 83,0% da população, mas em 2000 perderam 9,4% de fiéis caindo para 73,6% e em 2010 passaram para 64,6%, tendo uma queda total de 18,4% entre os anos de 1991 a 2010.
Destaca-se, no entanto, entre os evangélicos, além do crescimento dos pentecostais, o baixo avanço dos evangélicos de missão. Segundo o sociólogo Ricardo Mariano, o desempenho dos tradicionais ou de missão, seria ainda mais baixo se IBGE não tivesse colocado a Igreja Adventista do 7º dia na categoria de evangélicos tradicionais, visto que existem incompatibilidades entre a doutrina adventista e a doutrina vivida pela maioria dos evangélicos tradicionais como a guarda do sábado e a proibição de alguns alimentos que segundo o autor, em outros sensos realizados anteriormente, os pesquisadores teriam colocado a Igreja Adventista no grupo de “outras religiões”. Esse seria o principal fator que elevou o número de evangélicos tradicionais devido o expressivo número de Adventistas no Brasil que, segundo o autor, seria em torno de 706.407 membros.
Se as cisões fizeram parte da expansão das igrejas pentecostais, os neopentecostais também não fogem à regra, ao que tudo indica, como foi demonstrado no decorrer deste capítulo, o processo de migração para outras denominações já começa acontecer no início do protestantismo, começando com a Reforma Protestante quando Lutero rompe com a Igreja Católica propondo uma nova interpretação bíblica, passando pelos movimentos surgidos após a reforma que protestavam contra o formalismo da igreja protestante ao mesmo tempo propondo um cristianismo mais espiritual, e, alguns anos depois, culminando nas igrejas pentecostais que reúnem algumas características desses movimentos, porém, dão maior ênfase para o batismo do Espírito Santo e o falar em línguas (glossolalia), além de adotarem um padrão mais rigoroso nos usos e costumes que implica em um maior afastamento do fiel com o mundo para obtenção da vida eterna.
Mais tarde surgem os neopentecostais que não satisfeitos com promessas de melhora de vida apenas no plano celestial, pregam com entusiasmo uma vida abundante nesta terra, propondo a fé com “investimentos” para alcançar o pleno sucesso espiritual e principalmente, econômico.
Fonte
ALMEIDA, Ronaldo; MONTERO, Paula. Trânsito religioso no Brasil.
São Paulo em perspectiva. 2001.
Disponível em: http://www.fflch.usp.br/centrodametropole/antigo/v1/pdf/ronaldo_almeida2.pdf
BARTZ, Alessandro; BOBSIN, Oneide; SINNER, Rudolf von. Mobilidade religiosa no Brasil – conversão ou trânsito religioso?. Religião e Sociedade: Desafios contemporâneos. São Leopoldo: Sinodal, 2012. p. 231-268.
Disponível em: < http://webcache.googleusercontent.com.>
CERVEIRA, Sandro Amadeu. Protestantismo Tupiniquim, Modernidade e Democracia: limites e tensões da(s) identidade(s) evangélica(s) no
Brasil contemporâneo. Revistas de Estudos da Religião. Março / 2008.
Disponível em: www.pucsp.br/rever/rv1_2008/t_cerveira.pdf.
SENSO REALIZADO PELO IBGE
http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/94/cd_2010_religiao_deficiencia.pdf. 

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