O PERFIL DOS EVANGÉLICOS
A atração de pessoas para o movimento pentecostal e para os neopentecostais pode indicar um perfil semelhantes entre essas pessoas, embora se inclinem para igrejas diferentes, a mensagem que essas igrejas anunciam parecem fazer grande diferença no momento da transição. Entender o processo de migração, implica ao mesmo tempo, identificar o perfil desses indivíduos, de onde vieram e o que os levaram a escolher determinada igreja pode ser de suma importância para obter uma melhor compreensão.
Max Weber, em “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, explica que a riqueza herdada pelos indivíduos era umas das explicações da posição socioeconômica que esses ocupavam perante a sociedade. Enquanto os católicos preferiam a educação de ginásios humanísticos, os protestantes, por sua vez, eram instruídos em estudos técnicos e ocupações industriais, como explica o autor:
"Em outras palavras, entre os diaristas católicos parece preponderar uma forte tendência a permanecer em suas oficinas, e tornar com freqüência mestres artesãos, enquanto os protestantes são fortemente atraídos para as fábricas, para nelas ocuparem cargos superiores de mão de obra especializada e posições administrativas". (WEBER, 2006, p.13).
A forte tendência dos protestantes em ocupar cargos de posições superiores hierarquicamente, parece indicar um perfil de indivíduos com educação superior, qualificada para a inserção em indústrias e comércios com grande potencial de promoção dos trabalhadores. Trazendo os estudos de Weber para o contexto brasileiro, isso parece corresponder quando se trata dos protestantes históricos, porém, não convém quando se trata dos pentecostais.
O perfil dos evangélicos no contexto brasileiro tende a ser mais qualificado quando se trata dos protestantes históricos, confirmando os estudos de Weber. Porém, de acordo com o censo realizado pelo IBGE, quando se trata dos pentecostais, os fiéis possuem menos escolaridade como demonstra a tabela abaixo:
A tabela acima foi retirada do censo realizado pelo IBGE que está disponível no site da Insituição, e traz informações acerca do nível de instrução das pessoas com quinze ou mais dividindo-as entre as categorias: Sem Instrução, Fundamental Incompleto, Fundamental completo e médio incompleto, Médio Completo e Superior Incompleto, Superior Completo, Sem Instrução.
O censo pesquisou os seguintes grupos de religião: Católica apostólica romana, Evangélicas de missão, Evangélicas de origem pentecostal, Evangélica não determinada (aqueles que confessaram ser evangélicos, porém, não pertencem a nenhuma instituição evangélica), Espírita, Umbanda e Candomblé, Outras religiosidades, Sem religião.
Entre a categoria Sem Instrução, os católicos aparecem com a maior quantidade de pessoas, 6,8%, seguido dos Sem Religião, 6,7%, e dos Pentecostais, 6,2%. Com relação às pessoas com Fundamental Incompleto, os Pentecostais possuem o maior percentual com 42,3%, logo depois aparecem os Católicos com 39,8% e os Sem religião com 39,2% das pessoas.
Na categoria Fundamental completo e médio incompleto, os pentecostais com 21,3% também estão entre os maiores percentuais, ficando atrás apenas dos Evangélicos não determinados, com 21,6% dos pesquisados. A categoria Médio completo e superior incompleto mostra que entre os evangélicos, os pentecostais são os que possuem menor percentual com 25,5%. Essas informações tornam-se ainda mais evidente quando se analisa a categoria Superior completo que entre todos os grupos participantes da pesquisa, os pentecostais são os que possuem o menor percentual com apenas 4,1% das pessoas, indicando dessa forma, um baixo nível de instrução entre seus seguidores se comparados aos demais grupos evangélicos.
Esses dados fornecem informações importantes porque primeiramente confirmam os estudos de Weber com relação os protestantes históricos que na pesquisa se enquadra entre o grupo Evangélicos de missão, ligados a Reforma Protestante, como possuidores de níveis de instrução acima dos católicos, e uma segunda informação relevante que pode ser retirada da pesquisa, é que entre as grupos evangélicos, os pentecostais atraem com maior facilidade as pessoas com menor nível de instrução visto a relação do aumento de pentecostais com o grau de instrução dessas pessoas. A centralidade em cultos baseados na experiência espiritual e a pouca exigência em termos de instrução para ocupar cargos dentro dessas igrejas, podem ser alguns dos motivos que podem explicar a grande
inserção de indivíduos com esse perfil nas igrejas pentecostais. O trecho abaixo confirma essa relação: "O aspecto comum a essas três ondas é que as camadas sociais com o menor nível de instrução (formal) e de renda passam a integrar as igrejas pentecostais ou se dizem membros delas. Por causa da facilidade de ingressar nelas, suas redes sociais fortemente estruturadas e seus cultos focados na experiência, que transmitem a seus membros a mensagem de que são portadores do Espírito Santo e, por conseguinte, repletos do poder de Deus, elas parecem ser particularmente atraentes para essas camadas da população". (BARTZ, 2012, p.7).
Os evangélicos pentecostais criam redes comunitárias que geram ajuda mútua entre os próprios fiéis, gerando uma valorização do ser humano e de suas relações aumentando dessa forma, as expectativas e as esperanças com relação ao futuro e fixando laços sociais capazes de corresponder as suas principais exigências em termos de relações sociais.
Diferente dos católicos ou dos kardecistas, essas redes não atuam como filantropia, mas em contexto de carência utilizando-se como circuito de trocas que podem envolver dinheiro, comida ou até mesmo, recomendações para trabalhos. As redes evangélicas trabalham em favor da valorização da pessoa e das relações pessoais, gerando um aumento de auto-estima e impulso empreendedor, além de ajuda mútua com o estabelecimento de laços de confiança e fidelidade.(ALMEIDA, 2004, p.7).
Essas trocas seriam baseadas na conivência entre os seguidores do grupo, valendo a lógica, “irmão ajuda irmão” os pentecostais conseguem nutrir um sentimento de ajuda que se torna um forte aliado em seu processo de expansão e atração de membros para suas respectivas igrejas situadas nas mais diversas localidades do país, ao mesmo tempo expandindo esses laços com outras atividades como eventos festivos, teatros, coreografias, e grupos de evangelismos sempre relacionado à própria instituição.



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