ANÁLISE DAS ELEIÇÕES



Analisando a eleição de 2014 no Brasil em que foi eleita a presidente Dilma Rousseff, podemos utilizar alguns parâmetros econômicos vinculados com algumas regiões em que a vencedora teve maior votação. Levando em consideração a imensa quantidade de votos que Dilma recebeu dos eleitores nordestinos, é possível fazer uma ligação com a situação sócio econômica daquela região e o percentual de pessoas que votaram na candidata do Partido dos trabalhadores. Neste texto utilizaremos como base o artigo de Lucio Rennó e Anthony P. Spanakos em que traz informações importantes sobre as intenções de votos em países em desenvolvimento de acordo com determinados indicadores como taxas de câmbio, risco país, fundamentos da economia e o impacto que causam nas eleições brasileiras. Daí partiremos para uma análise da última eleição ocorrida no Brasil e como a variável econômica foi fundamental para reeleição da então candidata Dilma Rousseff.

A região Nordeste é uma das regiões mais pobres do Brasil, apesar do crescimento econômico nos últimos anos, o nordeste brasileiro ainda carece de rede de água encanada e possui a maior taxa de analfabetismo do país com apenas 17,4% de acordo com Indicadores de Desenvolvimento Brasileiro 2001-2012. Uma parcela significativa de sua população recebe o bolsa família como complemento importante de sua renda.
O governo de Lula se destacou pela sua popularidade para com os mais pobres e por medidas que trouxeram um razoável desenvolvimento para as pessoas menos favorecidas economicamente. O bolsa família, o programa minha casa minha vida e a criação de Universidades Federais foram exemplos dessas políticas. 

A população mais carente passou a ter mais oportunidades para ingressar em uma Universidade e melhorar razoavelmente seu poder de compra mesmo que isso não garantisse estabilidade financeira. No entanto, com essas políticas implementadas e com um discurso popular de benefícios ao povo mais pobre, Lula conseguiu transferir uma parcela dos seus eleitores para a então candidata Dilma Rousseff, que até então era lembrada apenas como chefe da casa civil com pouco destaque em sua carreira política.

O carisma de Lula junto com discurso de continuação do governo que por sua vez lembrava a continuidade dos programas bolsa família e minha casa minha vida além de sempre fazer questão de destacar a criação das Universidades Federais fizeram com que grande parte da população elegesse Dilma Rousseff também pertencente ao PT para assumir a presidência da República, com a promessa de continuar o governo do ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

É importante ressaltar que, nesse caso, o voto econômico retrospectivo, no qual, de acordo com Rennó e Spanakos, os eleitores não votam em candidatos que tiveram governos com resultados negativos na economia, foi utilizado com bastante veemência, visto que o eleitor analisa governos anteriores dos partidos que os candidatos representam e julgam de acordo com a situação econômica que esses propiciaram para a população. Programas sociais e acesso mais facilitado a instituições de ensino superior e técnico para pessoas com poder aquisitivo mais baixo, no caso do PT, em detrimento a escassez de programas sociais e poucas universidades federais no governo do PSDB foram grandes “divisores de águas” na escolha da representante à presidência da pública.

Ao passo que mantinha programas sociais já implementados pelo seu antecessor, Dilma conseguiu a maior parte da aprovação dos eleitores brasileiros mesmo que seu concorrente na eleição passada Aécio Neves conseguisse uma parcela significativa de votos principalmente nas regiões sul e sudeste do país em que estão os maiores índices de desenvolvimento econômico, chegando a levar a decisão da eleição para o segundo turno. 

PROGRAMAS SOCIAIS X VOTO
Aqui cabe ressaltar que a mola propulsora para que Dilma conseguisse se reeleger foram os programas sociais, principalmente o bolsa família, o qual foi usado como requisito em que a candidata do Partido dos Trabalhadores e a propaganda do governo se referia ao programa como um grande benefício feito pelo governo e que a sua saída ou uma derrota nas eleições poderia implicar na perda desse benefício, o que acarretaria em sofrimento para a camada mais pobre da população. Conversas de que se Aécio (candidato da oposição), ganhasse a eleição, o mesmo iria imediatamente retirar o bolsa família e outros programas sociais, começaram a difundir entre as pessoas mais pobres. Com o receio de perder o benefício, milhões de eleitores, principalmente no Nordeste, votaram na então candidata do PT, Dilma Rousseff. Lembrando que esse fenômeno não é exclusividade da região Nordeste mas sim de grande parte do país em que se localizam as populações mais pobres e residentes em locais de baixa infraestrutura.

Com isso, é possível interpretar uma indicação de voto com base na situação econômica dos próprios eleitores. Observando a situação do nordeste brasileiro e a expressiva quantidade de votos que Dilma recebeu dessa região, fica entendido a apreensão ou uma possível acomodação por parte dos eleitores, a primeira, devido perda do bolsa família, e segunda, com a possibilidade de continuar recebendo uma quantia financeira sem necessariamente está fazendo alguma atividade remunerada ou prestando algum tipo de serviço.

A variável econômica é, segundo minha análise, os principais indicativos que levaram a reeleição da presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014. A propaganda do PT e o discurso de manter os programas sociais também fizeram efeito, uma vez que os eleitores, de modo geral, buscam saber a situação econômica do país e comparar com seu momento individual.

A política do "pouco a pouco" criando programas sociais que garantam um mínimo de condições financeiras mesmo não sendo suficiente para dar qualidade de vida para as pessoas beneficiadas por esses programas já é o suficiente para fazer com que o povo aceite, e em muitos casos, dependa daquele programa. Uma vez dependente, a tendência será a manutenção do governo por parte dessas pessoas visando a continuação destes programas sociais. 

A aplicação de recursos na geração de empregos poderia desenvolver uma maior renda entre a população, aumentando ainda seu poder de compra e consequentemente aquecendo a economia interna, acelerando o crescimento econômico do país, porém, para garantir votos é preciso dosar as medidas implementadas. Criar uma dependência do povo ao governo é muito mais eficaz para obter votos do que gerar empregos que iria criar uma independência financeira do indivíduo, que por sua vez não dependeria mais de auxílios do governo para ter garantido seu poder de compra, isso poderia refletir em uma racionalização maior entre os eleitores o que definitivamente não seria interessante para governos populistas que visam a continuação no poder.

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