O ESPAÇO VIRTUAL


A ausência de um senso de verdade absoluta nos espaços virtuais é uma característica importante a ser destacada nos ambientes virtuais. Em outras palavras, não existe uma verdade absoluta na internet. A pluralidade de sites com conteúdo diversos, incluindo ateísmo, entre outras formas de pensamento, deixa a internet sem uma visão religiosa hegemônica (JUNGBLUT, 2010). Pelo lado religioso, isso pode transformar a internet em um espaço de mercado da fé em que aquele que melhor souber apresentar sua fé, acaba tendo vantagem nas preferências e aceitações dos usuários conectados na grande rede.
De acordo com Loro (2009), a internet consegue hospedar simultaneamente violência, conflitos, preconceito, respeito e harmonia. O virtual tornar-se uma engrenagem capaz de adaptar diversos conteúdos sem perder a funcionalidade que faz desse espaço uma das principais ferramentas para promoção de informações de todos os tipos. Para Moraes (2000), essas características fazem da internet um grande sistema em constante mutação sem uma ordem específica, formando uma espécie de mosaico em que elementos paradoxais convivem em relativa harmonia sem necessariamente haver uma prevalência de um sobre o outro. Quem decide o que deve ser aproveitado e destacado é o próprio internauta usando suas afinidades e conveniências.
Dentro espaços virtuais, muitos usuários ainda se utilizam da pluralidade de visões religiosas contidas na internet para adotarem o transito religioso virtual como forma de seguir várias vertentes cristãs por meio de sites, grupos e ou páginas de denominações evangélicas, ou mesmo migrando de uma para outra sem assumir nenhum compromisso maior com a instituição, tornando-se simpatizantes, ou meros seguidores que em meio a diversos mecanismos de vinculação da mensagem evangélica, escolhem aqueles que melhor representam suas necessidades ou suas interpretações teológicas acerca da fé evangélica. 
As tecnologias acabam se tornando pano de fundo para as ideias movidas a preferências e estratégias dos usuários que fazem com que as ferramentas virtuais não tenham um sentido único e assim, acabam sendo usadas pelos mais variados interesses. (LORO, 2009). Os melhores softwares são objetos de disputa entre governos e empresas a fim de utilizá-los para melhor empreendimento em negócios ou tecnologia que traga melhor agilidade e resultados para um governo e ao mesmo tempo servindo também para atender as necessidades dos indivíduos, melhorando sua capacidade em armazenamento e divulgação de informações, e proporcionando aprendizado com ferramentas virtuais, como programas e redes sociais. (LEVY, 2008).
O virtual parece ganhar cada vez mais força na sociedade, as pessoas fazem o possível para estarem conectadas à internet, seja através de um tablet, smartphone, aparelho televisor ou um computador. A imensa quantidade de informações que circulam na grande rede acaba atraindo o interesse de diversos públicos, nem mesmo as religiões ficaram de fora dessa grande teia de informações, em que todos parecem estarem conectados uns com os outros ao mesmo tempo. De acordo com Pierre Levy (1997), esse conjunto de mudanças caracteriza um “movimento de virtualização” que afetar a informação, as formas de comunicação como também os corpos, a economia e o exercício da inteligência. O autor relaciona esse fenômeno com a redefinição dos “nós” e o “está junto” além de comunidades virtuais e empresas virtuais. A internet não coloca limites para a criatividade, com isso, abre-se uma imensa porta para que diversos grupos usem os ambientes virtuais como forma de divulgação da marca de uma empresa até o nome de uma instituição religiosa. As redes sociais como o Facebook tem sido uma das ferramentas bastante utilizadas para esses fins.
O termo virtual remete a algo que não seja físico, de acordo com Junbglut (2002), o virtual é aquilo que não possui um espaço físico ou território por isso pode se manifestar em diversos locais e momentos diferentes, se caracteriza pela linguagem binária e pode ser copiado, processado e armazenado pelo usuário interage. De acordo com o autor, o virtual não é necessariamente oposto ao real como algo físico, mas sim uma importante dimensão da realidade. Ainda segundo pensamento do autor, a conexão com suporte a imagens, sons, textos, gráficos definem o hipertexto que é capaz de armazenar diversos conteúdos em um único link. Para Levy (1997), o hipertexto “é um texto em formato digital, reconfigurável e fluído”. Entender essas ferramentas e o desenvolvimento delas no uso da internet é de suma importância para a compreensão do fenômeno da inserção dos diversos públicos que se conectam à internet.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

UMA ÁRVORE NO MEIO DO CAMINHO

A EXPANSÃO EVANGÉLICA NO BRASIL - PARTE 2

O PERFIL DOS EVANGÉLICOS