TRÂNSITO ENTRE OS EVANGÉLICOS

A expansão das igrejas evangélicas diversificou o cenário religioso atual no Brasil, o "boom" evangélico fez com que uma variedade de denominações emergisse no país aumentando a pluralidade de opções religiosas e modificando as relações sociais existentes, pois, com o crescimento dos evangélicos, intensifica-se a inserção de novos valores e comportamentos que passam a dar sentido a um determinado grupo de pessoas que não apenas decidem fazer parte desse novo modo de vida como fazem dele sua principal fonte de conduta dentro da sociedade. (MARIANO, 2008).
As estatísticas dos últimos censos demonstram a diminuição de católicos ao longo dos anos e o consequente aumento do número de evangélicos, indicam uma absorção de uma parte desses seguidores, principalmente por parte dos pentecostais e neopentecostais, porém, mais do que isso, convém ressaltar que, além de conseguir agregar membros que anteriormente pertenciam a outras religiões, os evangélicos passam a disputar entre si a escolha dos fiéis.
Vou explicar melhor, a intensa busca por alívio para a alma tem feito com que os evangélicos transitem de forma quase que contínua por igrejas que preencham o seu vazio interior. Repare que não é por acaso que verifica-se uma grande variedade de igrejas protestantes espalhadas em vários locais. Se você que está lendo esse texto sair pelas ruas de sua cidade, muito provavelmente vocêa vai encontrar várias igrejas (templos) evangélicos espalhadas pela sua cidade, e o interessante é que essas igrejas, percebendo esse fluxo religioso entre os fiéis, também tem se adequado para receber esses indivíduos de forma a conseguir satisfazê-lo e assim não ter o indivíduo apenas como visitante, mas como um membro de seus templos.
Os meios de comunicação foram transformados em ferramentas de evangelização, o que parecia até certo momento, um simples avanço, tornou-se parte de uma das principais formas de divulgação da mensagem evangélica. (CAMPOS, 2004). Apesar de algumas igrejas da primeira onda já possuírem programas de rádio, foram as igrejas da segunda onda, a partir dos anos de 1950 que intensificaram o uso do rádio e da televisão como forma de evangelização.
As pregações e as orações eletrônicas tornaram-se comuns e passaram a fazer parte do dia-a-dia de muitas pessoas que fazem uso dos meios de comunicação como forma de integrar-se àquela igreja mesmo que a mesma esteja a milhares de quilômetros de distância. O rádio e a televisão tornaram-se difusores de cultos e doutrinas de igrejas evangélicas. A compra de espaço na TV e no rádio passou a ser cada vez mais comum visto a capacidade de alcance que esses meios proporcionam. (RESENDE, 2008.) Em consonância com o pensamento de PEAGLE (2008), o autor traz a ideia da Mcdonaldização da fé que seria a forma com que as igrejas evangélicas neopentecostais se adaptam às mudanças ocorridas na sociedade, como a falta de tempo das pessoas que, por viverem em uma sociedade cada vez mais competitiva e complexa, acabam dispondo de métodos mais rápidos e instantâneos para ganhar ou economizar tempo.
Diante dessa competição cada vez mais acirrada entre os indivíduos, as pessoas acabam buscando preferencialmente aquilo que traga, ou, ao menos, prometa trazer melhores resultados sem precisar passar por elaboração de longos processos, o que significaria gasto incontável de tempo além de acúmulo de trabalho. Diante disso, é como se a lógica da Revolução Industrial estivesse sendo aplicada não apenas no ramo industrial e produtivo, mas em praticamente todas as áreas da sociedade, inclusive na religião. 
As denominações evangélicas, com destaque para as pentecostais e neopentecostais tem percebido essa dinamização da sociedade e conseguido se adaptar a esse contexto, usando de métodos inovadores e oferecendo soluções imediatas para um público de pessoas cada vez mais ocupadas, essas igrejas parecem oferecer o “fastfood”, a comida rápida das religiões como forma de atrair os fregueses, ou melhor, os fiéis, que em meio a uma vasta quantidade de igrejas e denominações, podem escolher a que melhor ofereça as soluções para seus problemas ou mesmo aquela que se adapte às suas exigências pessoais e subjetivas. Assim, uma das formas de compreender essa dinâmica entre membros e igrejas seria pela racionalização do sagrado que faz a transformação da crença em produto. As igrejas nessa perspectiva seriam produtos que os membros escolheriam a que melhor atendesse suas necessidades. A diversidade de religiões induz os adeptos a terem cada vez menos vínculo com uma única denominação, tornando-os mais transitórios em suas práticas religiosas. Devido a diversidade de religiões no país, as pessoas que se colocam nesse contexto acabam tendo direcionamentos religiosos variados dos quais, pertencer somente a uma instituição religiosa não é o suficiente para atender as suas próprias demandas, com isso, está se formando um público cada vez mais plural em termos religiosos e menos centralizado em uma única religião.

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