A FÉ ATRAVÉS DA INTERNET
O avanço da tecnologia fez impulsionar um novo modelo de organização religiosa que ocorre mediante o uso contínuo da internet, principalmente as redes sociais, para a divulgação de mensagem de cunho religioso, ocasionando uma pluralidade de religiões nos espaços virtuais formando verdadeiros centros de debates e discussões, sendo a internet, a principal ferramenta responsável por toda essa divulgação virtual em ambientes não convencionais, como os templos que até então carregavam sozinhos a obrigatoriedade da mensagem religiosa.
Alguns teóricos da ciência da religião que se empenham em entender o funcionamento desse fenômeno movido pela tecnologia, como o professor de departamento de Ciências da Religião, Silas Guerreiro (2016), e o Mestre em Ciências da Religião Welliton Moraes (2016), explicam esse novo cenário religioso como uma Nova Era. Para esses estudiosos, esse fenômeno se define como uma religião nas “nuvens”, um espaço onde não existe uma fonte única de conhecimento, é um lugar em que não existe institucionalização, todas as mensagens religiosas são toleradas e possuem um mesmo grau de relevância espiritual.
De acordo com esses estudos, a Nova Era possui semelhanças com o avanço dos processos de informática. O termo “nuvem” possui conotação na área informática. A internet atualmente possui ferramentas que permitem ao usuário, partilhar conteúdos como músicas, arquivos, documentos, softwares, vídeos e muitos mais com um mecanismo que se denomina "Armazenamento em Nuvem”, trata-se de um servidor ou um computador remoto alocado em algum lugar não necessariamente perto, com uma capacidade gigantesca de armazenamento capaz de suportar informações de milhões de usuários ao mesmo tempo, deixando disponíveis essas informações para compartilhar com outros usuários utilizando programas de computador que tem a finalidade de repartir conteúdos online como Emule, Ares Galaxy, Utorrent, esses programas permitem que o usuário receba ou envie um conteúdo para diversos computadores que estejam utilizando o mesmo software de compartilhamento em rede.
Em outros casos, restringindo essas informações para uma conta de usuário como é o caso de e-mails que oferecem armazenamento em nuvens, anunciando que as informações ali guardadas, poderão ser vistas pelo usuário a qualquer momento e em qualquer lugar com a única exigência de possuir um serviço de internet ativo para que o proprietário da conta tenha acesso a tudo que armazenou nas “nuvens”, ficando livre das “correntes” de um único computador pessoal que possivelmente poderia ocasionar perdas desses conteúdos se acontecesse algum defeito no computador, porém, com o armazenamento em nuvens, as informações ficam na grande rede, sem um repositório específico.
Da mesma forma, a Nova Era também usa do mesmo modelo da informática, no entanto, absorvendo conteúdos diferentes, ao invés de arquivos ou documentos, esse espaço permite a ampla divulgação de pensamentos criando dessa forma, uma grande rede de compartilhamento de ideias e práticas. Para Loro (2009), a internet não possui uma instituição ou uma territorialidade para a divulgação de uma religião exclusiva, o espaço acaba servindo também para troca de mensagens de cunho religioso e entre elas, os evangélicos, com notoriedade para os pentecostais, estão utilizando de forma veemente esses locais para levarem a mensagem evangélica para diversos usuários conectados nas redes sociais, em especial, o facebook, um espaço de “tudo e de todos”.
Internet - Um espaço de todos
Dentro da internet, todos(as) podem expor suas opiniões acerca de qualquer assunto, e sendo assim, as críticas e elogios fazem parte dessas divulgações, os usuários dessa rede social divulgam intencionalmente informações e conteúdos que considera relevante. A internet possibilita uma liberdade nunca antes vista dentro dos meios de comunicação. O facebook por sua vez, possibilita aos usuários, navegarem por diversas páginas e grupos que tenham relação com seus interesses. Dentro desses espaços, as pessoas podem dar opiniões, fazer elogios à uma determinada foto ou postagem de um amigo ou amiga, ou fazer críticas, desde as mais fundamentadas até críticas com xingamentos ou palavrões.
De acordo com Bekemball (2016), a internet se caracteriza como uma ferramenta democrática capaz de estabelecer conexões entre indivíduos que anteriormente não eram possíveis, porém, com o auxílio da tecnologia, pessoas de diferentes condições socioeconômicas, independentemente da cor, raça, religião ou localidade, conseguem interagir de forma mais direta com outras pessoas, além de poder escolher o conteúdo que desejam ver ou mesmo ser um autor de informações, contribuindo para a diversidade de conteúdos encontrados na rede mundial de computadores.
Dessa forma, podemos entender que as redes sociais como o Facebook, possuem uma considerável vantagem comparado com as mídias de massa como a televisão e o rádio porque possibilitam a comunicação constante entre os usuários através de suas ferramentas como o chat, postagens de fotos e vídeos, criação de páginas e grupos de discussão online. Para o autor, a televisão é um veículo de comunicação representativo que coloca o indivíduo apenas como mero telespectador, assistindo aquilo que os canais oferecem, com pouca ou nenhuma interação e absorvendo notícias de cunho tendencioso e na grande maioria das vezes pertencentes a grupos com interesses particulares, colocando dessa forma, uma grande distância entre o emissor e o receptor como o caso de algumas novelas e programas televisivos que expõem um determinado contexto sem considerar as diferentes realidades do público que assiste.
O usuário passa então de consumidor de informação para produtor, propagador, multiplicador da mesma, fazendo valer seu direito democrático que antes era ignorado pelas mídias clássicas. Por esse lado, o autor ainda explica que o ciberespaço não diz respeito apenas às ferramentas tecnológicas vinculadas aos computadores e a internet, mas a relação entre as outras mídias que juntas formam este novo modo de vida em que se encontra a sociedade.
Diante disso, os evangélicos possuindo perfis conservadores e fiéis a princípios bíblicos, irão se acrescentar a essas características da internet e tornam-se um grupo importante de estudo. Usuários que se movimentam dentro de um meio para possivelmente interferir em outro proporcionando uma forma de engajamento intrínseco diversificando ainda mais a cultura moderna.
A Liberdade na palma da mão
A Liberdade na palma da mão
Dentro desses espaços, os evangélicos estão fora do ambiente religioso tradicional do templo, não mais submissos a uma autoridade eclesiástica ou ao líder de sua denominação, e pode com isso, ter a liberdade de buscar seu próprio leque de ideias e crenças mediante a vasta quantidade de opções que são visualizadas a todo instante no facebook. (SILVA, 2012). As trocas de informações são constantes nesses espaços e a mensagem de um usuário, pode servir para outro ou inverter essa lógica, não existe um centralizador de mensagens, todos podem ser emissor e receptor ao mesmo tempo. (JUNGBLUT, 2010). Ao contrário dos espaços físicos dos templos, todos os fiéis possuem autonomia e liberdade para serem anunciadores da mensagem divina sem passar pela permissão ou aceitação de uma autoridade superior, percebe-se com isso, uma nova configuração de vivência religiosa impulsionada pelo avanço tecnológico.
Considerando desse cenário, aumenta igualmente a disputa por membros dentro desses ambientes virtuais. O mercado e o trânsito religioso ocorrem quase que constantemente, visto a imensa quantidade de mensagens, publicações, páginas e grupos relacionados a mensagem evangélica, porém, publicando em nome de igrejas diferentes. Nada o impede, por exemplo, de seguir uma página ou algum outro usuário que faça parte de outra denominação que possui uma vertente protestante diferente de sua igreja atual.
Conforme a quantidade de amigos que o usuário possui em sua lista, as mensagens podem chegar a centenas de pessoas em poucos minutos e ainda atingir quantidades superiores à medida que recebe “curtidas” ou “Likes” em cada nova postagem. Dessa forma, é possível alcançar um número significativo de pessoas sem precisar está presencialmente e muito menos pagar algum valor para ter sua mensagem vista pelos demais usuários, mesmo que ainda o facebook possua serviços pagos de divulgação.
Sendo assim, a Nova Era está acima do conceito de “nuvens” em razão de não possuir um local centralizador, delimitá-la em um único lugar seria contradizer sua própria essência que é exatamente a falta de território específico. Diante disso, podemos entender que o uso da internet por parte de grupos evangélicos é uma extensão dos avanços dos meios de comunicação, jornal, rádio, televisão e atualmente a internet, o evangelismo se configura de modo a inserir-se nos novos meios de comunicação mediante avanço tecnológico.
Referências bibliográficas
BEKEMBALL, José Flank. Espectador fiel: engajamento de usuários evangélicos nas redes sociais. Comunicon2016. São Paulo. 2016.
Disponível em: http://anais-comunicon2016.espm.br/GTs/GTGRAD/GT4/GT04-JOSE_BEKEMBALL.pdf
Acessado em: 16/02/2017.
GUERRIERO, Silas; MORAES, Welliton. Uma rede para além das nuvens: a nova era e a internet. Revista Último Andar. N. 19. 2016.
Acessado em: 06/02/2017
JUNGBLUT, Airton Luiz. O uso religioso da Internet no Brasil. PLURA, Revista de Estudos de Religião, vol.1, nº 1, 2010, p. 202-212.
Disponível em: http://www.abhr.org.br/plura/ojs/index.php/plura/article/view/15
Acessado em: 11/01/2017.
LORO, Tarcisio Justino. Espaço virtual, um desafio para a igreja. Revista de Cultura teológica - v. 17 - n. 66 - Jan/Mar 2009.
Disponível em: https://revistas.pucsp.br//index.php/culturateo/article/view/15495
Acessado em: 27/01/2017.



Seria interessante se colocasses as referências completas. Tu colocou só autor e ano. Falta a obra.
ResponderExcluirObrigado pelo comentário amigo. Estarei organizando para colocar as referências completas no final de cada artigo.
ResponderExcluirMuito obrigado e fique a vontade para deixar sua opinião.