A EXPANSÃO EVANGÉLICA NO BRASIL - PARTE 1
A movimentação de pessoas que pertenciam a grupos pentecostais que saiam dos Estados Unidos e viam para o Brasil continuou um pouco mais tarde, em 1911, quando dois missionários suecos, Daniel Berg e Gunnar Vigren chegam ao Brasil para fundar outra igreja pentecostal, assim como Louis Francescon (fundador da Congregação Cristã do Brasil), ambos os missionários haviam tido experiências com o movimento pentecostal.
Em uma igreja situada em Indiana, Gunnar Vigren conheceu um homem que falava pelo dom de profecia, este lhe informou sobre seu futuro e que anunciaria a mensagem de Deus para um povo humilde no Brasil, precisamente no Pará. (ROMEIRO, 2005). Como afirma o escritor Paulo Romeiro, “foi preciso ir a uma biblioteca para descobrir que o Pará fica no norte do Brasil”. Ambos os missionários foram recebidos por uma igreja Batista, logo depois de aprenderem o português brasileiro, começaram a disseminar a doutrina pentecostal com ênfase no batismo com o Espírito Santo e o falar em línguas. Porém, a receptividade não foi como esperavam e a nova doutrina encontrou bastante resistência entre os batistas, poucos creram nos ensinamentos de Berg e Vigren. Devido a isso, eles deixaram a igreja batista e fundaram uma igreja chamada Missão de Fé Apostólica que mais tarde veio a se chamar Assembléia de Deus e atualmente é a maior igreja pentecostal do Brasil.
Em uma igreja situada em Indiana, Gunnar Vigren conheceu um homem que falava pelo dom de profecia, este lhe informou sobre seu futuro e que anunciaria a mensagem de Deus para um povo humilde no Brasil, precisamente no Pará. (ROMEIRO, 2005). Como afirma o escritor Paulo Romeiro, “foi preciso ir a uma biblioteca para descobrir que o Pará fica no norte do Brasil”. Ambos os missionários foram recebidos por uma igreja Batista, logo depois de aprenderem o português brasileiro, começaram a disseminar a doutrina pentecostal com ênfase no batismo com o Espírito Santo e o falar em línguas. Porém, a receptividade não foi como esperavam e a nova doutrina encontrou bastante resistência entre os batistas, poucos creram nos ensinamentos de Berg e Vigren. Devido a isso, eles deixaram a igreja batista e fundaram uma igreja chamada Missão de Fé Apostólica que mais tarde veio a se chamar Assembléia de Deus e atualmente é a maior igreja pentecostal do Brasil.
Em 1960 a Assembléia de Deus já superava numericamente os fiéis da Igreja Presbiteriana que na época era a maior igreja protestante no Brasil, ficando atrás apenas da Igreja Católica Romana, nesse período os pentecostais tiveram um crescimento tão abrangente que atingiu um índice três vezes maior do que o obtido pelo protestantismo histórico. (ALMEIDA, 2009). Esta seria a primeira onda do pentecostalismo brasileiro que tem como principais características o batismo com o Espírito Santo, o profetizar e o discernimento dos espíritos entre bons e maus. (BARTZ, 2012).
A religião católica apesar de ser predominante no Brasil começou a perder fiéis ao mesmo tempo em que os evangélicos conseguiram grande número de membros. Com o decorrer dos anos os pentecostais se expandiram criando outras igrejas e aumentando o número de fiéis no território brasileiro.
A partir de 1950 outras igrejas começaram a surgir no Brasil, desta vez, evidenciando a cura divina, essas igrejas marcaram a centralização do poder eclesiástico. (ALMEIDA, 2005). A igreja do Evangelho Quadrangular instalada em São Paulo, em 1951, também foi importada de Los Angels. Logo depois, a Igreja pentecostal o Brasil para Cristo, a primeira igreja genuinamente brasileira, fundada em São Paulo, em 1955, por Manoel de Mello. A igreja tinha atividades evangelísticas e já possuía um programa de rádio. (ROMEIRO, 2005).
Outra igreja que vinha a ser uma forte expressão no cenário evangélico brasileiro foi a Igreja Deus é Amor, fundada pelo missionário David Martins Miranda. A igreja ficou caracterizada pela rigidez nos costumes e no uso de roupas e rejeição com qualquer outro grupo religioso. Essa fase caracterizou a segunda onda do pentecostalismo no Brasil que surgiu juntamente com o aumento do processo de urbanização do país e o rápido crescimento econômico nas grandes cidades. (MATOS, 2006).
Durante esse período do pentecostalismo, muitas igrejas tradicionais foram renovadas e adquiriam o fenômeno da “Pentecostalização” do protestantismo histórico que seria a adoção de práticas pentecostais por parte de alguns protestantes históricos, o que acabou produzindo igrejas carismáticas como a Batista Nacional, a Metodista Wesleyana e a Presbiteriana Renovada e até mesmo o catolicismo romano que fez surgir uma Renovação Carismática, tudo isso se deve ao sucesso expansionista do pentecostalismo no Brasil e seu poder de influência na sociedade.
Devido a diversidade de doutrinas e interpretações bíblicas, os evangélicos conseguiram se multiplicarem por não seguirem uma única autoridade maior, ao contrário da igreja católica que possui o Papa como sua fonte universal de liderança máxima.
Os evangélicos no Brasil não possuem assim como os católicos, por exemplo, um centro institucional autorizado a falar em seu nome; tampouco possuem uma homogeneidade doutrinária, litúrgica ou mesmo de costumes e tradições capaz de ser utilizada como senha única de identidade. (CERVEIRA, 2008, p.4).
Neste quesito, Almeida (2009), possui uma opinião semelhante. O autor apresenta primeiramente uma análise conjuntural, traçando as origens da igreja e levantado hipóteses de como as cisões e divisões dentro do protestantismo parece, ao que tudo indica, terem feito com que várias igrejas surgissem, e dessa forma, expandindo ainda mais a mensagem evangélica, com a liberdade de poderem discordarem entre si, e, mais ainda, romper com suas antigas igrejas e fundarem outras baseadas em suas próprias convicções bíblicas, litúrgicas e doutrinárias. Os evangélicos conseguiram usar algo que aparentemente poderia indicar incoerência ou mesmo sua falência, em uma mola propulsora que serviria para aumentarem os números de denominações, igrejas e consequentemente também a quantidade de fiéis, e dentro desse processo, os pentecostais conseguiram se adaptar e crescer rapidamente no contexto brasileiro, como enfatiza o autor:
"As cisões de forma alguma significaram a perda numérica do pentecostalismo – ao contrário, quase sempre resultaram no aumento do apetite proselitista. Afinal, como a posse do melhor entendimento da Verdade bíblica era uma das justificativas principais das divisões, cabia aos dissidentes a missão e converter as outras pessoas à sua reformulada doutrina. Dessa maneira, combinando fragmentação das igrejas e adesão em massa, o pentecostalismo foi se expandindo no país". (ALMEIDA, 2009, p.19).
Referências bibliográficas
ALMEIDA, Ronaldo. A expansão pentecostal: circulação e flexibilidade. In: TEIXEIRA, F.; MENEZES, R. (Org.). As religiões no Brasil: continuidades e rupturas. Petrópolis: Vozes, 2006. p. 111-122.
Disponível em:
http://www.fflch.usp.br/centrodametropole/antigo/v1/pdf/2007/ronaldo_pentecostalismo.pdf
ALMEIDA, Ronaldo; MONTERO, Paula. Trânsito religioso no Brasil.
São Paulo em perspectiva. 2001.
Disponível em: http://www.fflch.usp.br/centrodametropole/antigo/v1/pdf/ronaldo_almeida2.pdf
Acessado em: 23/04/2015.
BARTZ, Alessandro; BOBSIN, Oneide; SINNER, Rudolf von. Mobilidade religiosa no Brasil – conversão ou trânsito religioso?. Religião e Sociedade: Desafios contemporâneos. São Leopoldo: Sinodal, 2012. p. 231-268.
Disponível em: < http://webcache.googleusercontent.com.>
Acessado em: 23/09/2016.
CERVEIRA, Sandro Amadeu. Protestantismo Tupiniquim, Modernidade e Democracia: limites e tensões da(s) identidade(s) evangélica(s) no
Brasil contemporâneo. Revistas de Estudos da Religião. Março / 2008.
Disponível em: www.pucsp.br/rever/rv1_2008/t_cerveira.pdf.
Acessado em: 23/09/2016.
MATOS, Alderi Souza de. O movimento pentecostal: reflexões
a propósito do seu primeiro centenário. FIDES REFORMATA XI, Nº 2. 2006.
Disponível em: https://numen.ufjf.emnuvens.com.br/numen/article/viewFile/855/740
Acessado em: 13/09/2016.

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